Barbearias

Quanto cobrar por corte de cabelo masculino: o cálculo certo

Aprenda a calcular quanto cobrar por corte de cabelo masculino com seus custos, suas horas de cadeira e sua margem, e saiba quando e como reajustar.

Por Equipe Tlimm7 min de leitura
Quanto cobrar por corte de cabelo masculino: o cálculo certo
Neste artigo
  1. Passo 1: some os custos fixos do mês
  2. Passo 2: calcule o custo de cada atendimento
  3. Passo 3: descubra quantos cortes cabem no seu mês
  4. Passo 4: junte tudo e coloque a margem
  5. Passo 5: compare com a região, mas não copie
  6. Quando reajustar o preço do corte
  7. Como comunicar o reajuste sem perder cliente

Muito barbeiro define o preço olhando a tabela da barbearia da esquina e cobrando cinco reais a menos. O problema é que o vizinho tem outro aluguel, outro movimento e outros custos. Saber quanto cobrar por corte de cabelo masculino de verdade começa pelos seus números, não pelos dele.

Neste artigo você vai montar o preço do corte passo a passo: custos fixos, custos por atendimento, horas disponíveis na cadeira e margem. No fim, vai ver como comparar com a região, quando reajustar e como avisar a clientela sem drama.

Passo 1: some os custos fixos do mês

Custo fixo é tudo o que você paga mesmo se não atender ninguém. Pegue os últimos três meses de contas e faça uma média. Normalmente entram:

  • aluguel e condomínio do espaço (ou a taxa da cadeira, se você trabalha em barbearia de outra pessoa);
  • luz, água e internet;
  • contador e contribuição mensal do seu enquadramento (confira o valor atual com o contador);
  • sistema de agenda, aplicativo de música, assinaturas;
  • manutenção e troca de equipamento: máquina, shaver, cadeira, lâmpadas;
  • o seu pró-labore, ou seja, quanto você precisa tirar por mês para viver.

O pró-labore é o item que mais gente esquece. Se ele não entra na conta, o preço até cobre o aluguel, mas não paga o seu trabalho.

Passo 2: calcule o custo de cada atendimento

Custo variável é o que você gasta a cada cliente que senta na cadeira. No corte masculino ele costuma ser baixo, mas existe:

  • lâmina de navalha descartável;
  • pescoceira, papel e toalha (lavagem ou descartável);
  • produtos usados no cliente: shampoo, pomada, pós-barba, talco;
  • taxa da maquininha ou do meio de pagamento, quando o cliente paga no cartão.

Uma forma prática de chegar nesse número é dividir o que você comprou de material no mês pelo número de atendimentos do mesmo mês.

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Passo 3: descubra quantos cortes cabem no seu mês

Aqui entra a sua capacidade real, não a ideal. Conte:

  1. quantos dias você atende por semana;
  2. quantas horas por dia, já tirando almoço e pausas;
  3. quanto tempo leva um corte, com limpeza da cadeira e cobrança;
  4. qual parte da agenda costuma ficar ocupada de verdade.

Esse último ponto é importante. Ninguém trabalha com a agenda 100% cheia todos os dias. Terça à tarde costuma ser mais parada que sábado de manhã. Use uma ocupação realista, com base no seu histórico.

Passo 4: junte tudo e coloque a margem

Agora é só montar a conta. Veja um exemplo ilustrativo, com números inventados apenas para mostrar o raciocínio:

ItemExemplo
Custos fixos com pró-laboreR$ 6.000 por mês
Dias de atendimento22 dias
Horas úteis por dia8 horas
Tempo por corte40 minutos (12 cortes possíveis por dia)
Ocupação realista70% (cerca de 8 cortes por dia)
Cortes no mêscerca de 185
Custo variável por corteR$ 4

Com esses números, o custo fixo por corte fica em torno de R$ 32 (R$ 6.000 dividido por 185). Somando o custo variável, cada corte custa cerca de R$ 36 para existir.

Em cima disso entra a margem, que é o que sobra para o negócio crescer, formar reserva e trocar equipamento. Se você quer uma margem de 25% sobre o preço, divide o custo por 0,75: R$ 36 ÷ 0,75 dá R$ 48. Fica claro que cobrar R$ 35, nesse exemplo, seria trabalhar no prejuízo.

Lembre de considerar os impostos do seu enquadramento. Eles variam conforme o regime, então peça ao seu contador o percentual que se aplica a você e inclua na conta. Para aprofundar a fórmula, veja o guia completo de como calcular preço de serviço.

Passo 5: compare com a região, mas não copie

Depois que você sabe o seu custo, pesquisar a concorrência faz sentido. Olhe três ou quatro barbearias com público parecido com o seu e observe:

  • a faixa de preço do corte e do combo corte e barba;
  • o que está incluso (lavagem, finalização, bebida, sobrancelha);
  • a experiência: ambiente, pontualidade, facilidade para agendar.

Se o seu preço calculado ficou bem acima da região, você tem dois caminhos: diminuir custos ou entregar algo que justifique a diferença, como pontualidade rigorosa, acabamento caprichado e agendamento sem espera. Se ficou abaixo, talvez você esteja deixando dinheiro na mesa.

Barbearia não precisa ser a mais barata do bairro. Cliente que valoriza um bom degradê e um horário respeitado paga um pouco mais por isso.

Quando reajustar o preço do corte

Não existe data certa, mas alguns sinais indicam que chegou a hora:

  • seus custos subiram (aluguel, produtos, taxas) e a margem encolheu;
  • a agenda vive cheia e você está recusando cliente com frequência;
  • você fez cursos, melhorou o espaço ou passou a oferecer algo a mais;
  • faz mais de um ano que o preço não muda.

Acompanhar o caixa ajuda a enxergar esses sinais antes que virem problema. No Tlimm, a parte de caixa e financeiro mostra o faturamento do dia e do mês, os gastos, o lucro, o ticket médio e a comparação com o mês anterior, o que facilita decidir o reajuste com base em número, e não em sensação. Se quiser ver como funciona, há uma página com detalhes da agenda para barbearia.

Como comunicar o reajuste sem perder cliente

O reajuste em si raramente afasta o cliente fiel. O que incomoda é a surpresa na hora de pagar. Então:

  1. Avise com antecedência, de duas a quatro semanas antes, no status do WhatsApp, no Instagram e com um aviso na recepção ou no espelho.
  2. Seja direto e sem pedir desculpas demais. Algo como: "A partir do dia 1º de março, o corte passa a custar R$ 55. Seguimos com o mesmo cuidado de sempre. Obrigado pela confiança!"
  3. Atualize tudo no mesmo dia: tabela da parede, link de agendamento, mensagens prontas.
  4. Considere uma transição para os mais antigos, como manter o valor antigo para quem já tem horário marcado.
  5. Pense em oferecer plano mensal para quem corta com frequência. O cliente ganha previsibilidade e você ganha receita garantida. O artigo sobre clube de assinatura na barbearia explica como montar.

Perguntas frequentes

Posso cobrar mais caro pelo degradê do que pelo corte social?

Pode e, em geral, faz sentido. Se o degradê leva mais tempo e exige mais acabamento, ele ocupa mais da sua agenda. O preço deve acompanhar o tempo de cadeira e a complexidade do serviço.

Devo cobrar a taxa do cartão do cliente?

O mais comum é embutir a taxa no preço e cobrar o mesmo valor em qualquer forma de pagamento, o que evita discussão no balcão. Se quiser dar condição diferente no Pix ou no dinheiro, deixe isso claro na tabela antes do atendimento.

Com que frequência devo revisar o preço?

Revise a conta pelo menos uma vez por ano e sempre que um custo importante mudar, como aluguel ou fornecedor. Revisar não significa aumentar toda vez, mas saber se o preço atual ainda cobre os custos e a margem.

E se o meu preço calculado ficar muito acima da concorrência?

Primeiro, confira se a ocupação que você usou está realista e se não há custo que dá para reduzir. Depois, veja o que você entrega a mais. Se mesmo assim a diferença for grande, vale aumentar a ocupação da agenda antes de baixar o preço.

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