Como calcular preço de serviço: passo a passo com exemplo
Aprenda como calcular preço de serviço com uma fórmula simples: custo da sua hora, material, taxas, impostos e margem. Com exemplo ilustrativo.

Neste artigo
Muita gente define o preço olhando a tabela do concorrente ou repetindo o valor que cobrava quando começou. O problema aparece no fim do mês: a agenda estava cheia, você trabalhou muito e, mesmo assim, o dinheiro não sobrou. Saber como calcular preço de serviço é o que separa trabalhar bastante de trabalhar com lucro.
Neste guia você vai montar o seu preço em cinco passos, do custo da sua hora até a margem de lucro, com um exemplo numérico do começo ao fim. Os números são só ilustrativos: troque pelos seus. O preço da região entra no final, como referência, e não como ponto de partida.
Passo 1: descubra quanto custa a sua hora
O custo da hora é quanto o seu negócio gasta, por hora trabalhada, só para existir e para te pagar um salário. Ele sai de duas contas.
Some os custos fixos do mês
São os gastos que chegam mesmo que você não atenda ninguém:
- aluguel do espaço ou parte da conta da casa, se atende em casa;
- luz, água, internet e telefone;
- aplicativos e sistemas que você assina;
- contador e guia mensal de impostos fixos, se houver;
- manutenção de equipamentos (cadeira, maca, máquina, secador, autoclave);
- divulgação, como impulsionamento de posts;
- o seu pró-labore, que é o salário que você quer tirar todo mês.
O pró-labore entra aqui de propósito. Se ele ficar de fora, você calcula um preço que paga as contas, mas não paga você.
Conte as horas que você realmente vende
Aqui mora o erro mais comum. Quem trabalha 8 horas por dia, 22 dias no mês, não vende 176 horas. Tem intervalo entre clientes, limpeza e esterilização, horário de almoço, cliente que falta e horário que fica vazio.
Uma forma prática é olhar a sua agenda dos últimos dois ou três meses e contar quantas horas foram de fato atendidas. Se você não tem esse histórico, seja conservador na estimativa.
Exemplo ilustrativo:
| Item | Valor no mês |
|---|---|
| Custos fixos (aluguel, contas, sistemas, contador) | R$ 2.000 |
| Pró-labore desejado | R$ 3.000 |
| Total a cobrir | R$ 5.000 |
| Horas realmente vendidas | 125 horas |
| Custo da hora | R$ 40 |
Passo 2: some o custo variável de cada serviço
Custo variável é o que você gasta por atendimento. Ele muda de serviço para serviço, então vale fazer a conta um por um.
Alguns exemplos do dia a dia:
- barbearia: lâmina, pós-barba, toalha descartável, produto de finalização;
- manicure: lixa, palito, algodão, parte do vidro de esmalte, kit descartável;
- extensão de cílios: fios, cola, primer, micropore, escovinhas;
- banho e tosa: shampoo, condicionador, perfume, lâmina da tosa (dividida pelo número de usos);
- estética: cremes, ativos, luvas, lençol descartável.
Para produtos que rendem várias aplicações, divida o preço pelo número de usos. Um frasco de R$ 60 que rende 30 atendimentos custa R$ 2 por atendimento.
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Testar 30 dias grátis →Passo 3: reserve uma parte para taxas e impostos
Toda venda tem uma mordida antes de o dinheiro chegar inteiro em você. As duas mais comuns são:
- taxas de recebimento: maquininha, link de pagamento, parcelamento no cartão;
- impostos sobre a venda: dependem do seu enquadramento (MEI, Simples Nacional ou outro).
Como as regras e alíquotas mudam e variam de caso para caso, confirme com o seu contador qual percentual faz sentido reservar. O importante é que ele entre na conta como percentual do preço, e não como valor fixo.
Passo 4: defina a sua margem de lucro
Se o pró-labore é o seu salário, o lucro é o que fica para o negócio: reserva para meses fracos, troca de equipamento, curso novo, reforma do espaço.
Não existe margem certa para todo mundo. Quem está começando pode trabalhar com uma margem menor, e quem já tem agenda cheia, com uma maior. O erro é não ter margem nenhuma, porque aí qualquer imprevisto vira prejuízo.
Passo 5: junte tudo na fórmula
Com os quatro números na mão, a conta é esta:
Preço = (custo da hora × duração do serviço + custo variável) ÷ (1 − % de taxas e impostos − % de margem)
Dividir por esse número, em vez de só somar porcentagens, garante que as taxas e a margem sejam calculadas sobre o preço final, que é como elas acontecem na prática.
Exemplo ilustrativo de um serviço de 1 hora:
- custo da hora: R$ 40 × 1 hora = R$ 40;
- custo variável: R$ 8;
- taxas e impostos: 10%;
- margem de lucro: 20%.
Conta: (40 + 8) ÷ (1 − 0,10 − 0,20) = 48 ÷ 0,70 = R$ 68,57. Arredondando, o preço fica em R$ 70.
Se o mesmo serviço durasse 30 minutos e usasse R$ 4 de material, seria (20 + 4) ÷ 0,70 = R$ 34,29. Perceba como a duração pesa. Por isso cada serviço precisa da sua própria conta.
E se o preço calculado ficou acima do mercado?
Acontece, e não significa que você deve desistir do cálculo. Significa que algum número precisa mudar. Antes de baixar o preço, olhe para estes pontos:
- Horas vendidas. Cada horário vazio ou cliente que falta encarece a sua hora. Reduzir faltas e preencher buracos na agenda é, muitas vezes, mais eficiente do que aumentar o preço. O artigo sobre como reduzir o no-show tem caminhos práticos para isso.
- Custos fixos. Algum sistema que você paga e não usa? Algum gasto que dá para renegociar?
- Tempo do serviço. Organizar a bancada e o material antes do cliente chegar pode tirar minutos de cada atendimento.
- Combinações de serviço. Juntar serviços em um mesmo horário dilui o custo fixo. Veja como montar pacote de serviços sem perder margem.
- Posicionamento. Se a sua entrega é diferente (mais tempo, produto melhor, atendimento mais cuidadoso), deixe isso claro para o cliente em vez de competir só no preço.
Acompanhe se a conta está batendo
Calcular o preço uma vez não basta. É preciso conferir, mês a mês, se o faturamento cobre os custos e sobra o lucro planejado. Para isso, registre o que entra e o que sai. O guia de fluxo de caixa para autônomo mostra como fazer isso sem complicação.
No Tlimm, cada serviço já fica cadastrado com a sua duração e o seu preço, e o caixa mostra o faturamento do mês, os gastos, o lucro e o ticket médio, com comparação ao mês anterior. Fica mais fácil perceber se você precisa revisar algum valor.
Revise os preços pelo menos uma vez por ano, ou sempre que um custo importante mudar, e avise os clientes com antecedência.
Perguntas frequentes
Como calcular o preço de um serviço que leva tempos diferentes para cada cliente?
Use o tempo médio. Anote quanto durou o serviço nos últimos atendimentos e faça a conta com a média. Se a diferença for muito grande, por exemplo cabelo curto e cabelo longo, vale criar dois serviços com durações e preços diferentes.
O pró-labore entra mesmo no custo da hora?
Sim. Se ele ficar fora da conta, o preço cobre aluguel e material, mas não paga o seu trabalho. O pró-labore é o seu salário, e o lucro é um valor separado que fica para o negócio crescer e se proteger.
Qual percentual de imposto devo usar na fórmula?
Depende do seu enquadramento e das regras em vigor, que mudam com o tempo. Converse com o seu contador para saber quanto reservar das suas vendas e confira esse valor sempre que houver mudança no seu faturamento ou na sua forma de trabalhar.
Posso cobrar menos que o preço calculado para atrair clientes?
Por um período curto e planejado, sim, desde que você saiba exatamente quanto está deixando de ganhar. Como regra, cobrar abaixo do custo faz você trabalhar para pagar a conta dos outros. Prefira promoções pontuais em horários vazios a baixar o preço de forma permanente.
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